Eu tenho um professor de sapatos verdes
Eu tenho um professor com um segredo em russo tatuado no braço esquerdo
Eu tenho uma prova amanhã sobre todas as divisões territoriais francesas
O moço me lembra o Jim Carrey, mas tem um jeito de dizer que não vai deixar nenhum doce para mim que me encanta. Ele deve nem lembrar mais da minha cara, mas eu encho a cabeça dele com minhas palavras. Ele não as deixa entrar, bem sei. Tempos atrás eu sonhava com ele, mas agora eu só o tenho como inspirador de suspiros quando a respiração falha. Eu o verei em algum tempo, talvez nem veja. Tenho pena dos homens por quem me encanto. Sei que eles sofrem com minhas tonterías, mas não vou me desculpar, não hoje, não agora. Mesmo que eu esteja comendo um doce a cada segundo, mesmo que eu queira mandar uma mensagem boba para ele. Eu sei que o impulso todo está neste exato momento. Que a agonia se encerra neste instante, mas os meus espasmos sempre são longos. Me perco em todas essas minhas ilhas. Revisito-as, conheço de có os caminhos, porém me perco. Daí que o texto não vai acabar reticente, vai acabar acabando, escutando Jimmy Smith. Eu não vou tentar beijá-lo, nem inventar minhas histórias sem pé nem cabeça. Fracasso reconhecido. Não estou com paciência para me fazer bonita para ninguém por esses tempos. Não estou com paciência para suportar minhas decepções. Hoje, eu vou parar de olhar-me no espelho vendo os olhos dos outros. Hoje, permito-me ficar inventando histórias para mim, não para ele, não para a lata vazia de doces. E tenho dito.
Thursday, December 10, 2009
I told you, I was trouble
Promessa de ano novo:
parar de desculpar-me
se eu filoso é porque deu na teia, se você não me compreende a porta nunca esteve trancada. eu enconstei por conta do barulho.
PS: é como diz o gato da Alice, "vous avez remarquez que je n'est pas toute ma peau?"
parar de desculpar-me
se eu filoso é porque deu na teia, se você não me compreende a porta nunca esteve trancada. eu enconstei por conta do barulho.
PS: é como diz o gato da Alice, "vous avez remarquez que je n'est pas toute ma peau?"
Sunday, November 22, 2009
Comentário
É que, às vezes eu acho que o que eu tenho de meu não é o tempo, são os pés.
Enormes pés, número 39
Pouco dóceis
às asas colocadas pelos meus versos
Eles gritam todas as noites:
terra, terra
E às vezes me gritam: mar
suícidas, querendo estar imersos!
absortos,
meus pés,
o que tenho de mais preciosos
quando piso em girassóis
Enormes pés, número 39
Pouco dóceis
às asas colocadas pelos meus versos
Eles gritam todas as noites:
terra, terra
E às vezes me gritam: mar
suícidas, querendo estar imersos!
absortos,
meus pés,
o que tenho de mais preciosos
quando piso em girassóis
Tuesday, November 03, 2009
Scrobbling
Chega de chorumelas
A cama vai se encher de roupas lavadas
todas por dobrar.
A caixa de chiclete já esta toda na sua boca
uma massa branca enorme sem açúcar
dentes dez vezes mais brancos
Ai que tua vida não é dura,
você que é molenga.
Toma prumo, menina
e vê se para de esperar.
A cama vai se encher de roupas lavadas
todas por dobrar.
A caixa de chiclete já esta toda na sua boca
uma massa branca enorme sem açúcar
dentes dez vezes mais brancos
Ai que tua vida não é dura,
você que é molenga.
Toma prumo, menina
e vê se para de esperar.
Thursday, October 01, 2009
Joyeux anniversaire
eu tenho mais de vinte anos
engarrafei minha alma e joguei no oceano
"no que você acredita?"
na dúvida
engarrafei minha alma e joguei no oceano
"no que você acredita?"
na dúvida
Monday, August 24, 2009
Silêncio
eu sei que ando fazendo tudo errado
e, nem sempre são boas as minhas intenções
não sou pura, casta nem santa
não consigo botar um pingo no i
porque não quero que a história acabe, nem comece,
nem volte
quero só atravessar por um instante a barreira da existência,
fazer uns furinhos na testa e deixar arejar a cabeça
"Ao som do mar e à luz do céu profundo"
e, nem sempre são boas as minhas intenções
não sou pura, casta nem santa
não consigo botar um pingo no i
porque não quero que a história acabe, nem comece,
nem volte
quero só atravessar por um instante a barreira da existência,
fazer uns furinhos na testa e deixar arejar a cabeça
"Ao som do mar e à luz do céu profundo"
Wednesday, August 12, 2009
Sunday, July 26, 2009
Se eu pudesse não cantar essa absurda melodia
eu não atino pras coisas certas
eu gosto é de caminhar no vento
aí, o vento vai levantando a poeira
e a poeira gruda nos olhos
talvez eu já esteja vendo menos
poeira, poeira, poeira
a cabeça é só fragmentos
talvez eu tenha me acostumado com a vista turva
turva
turva
e se eu ficar cega?
"Era talvez ser distraída o que ela mais queria ser"
eu gosto é de caminhar no vento
aí, o vento vai levantando a poeira
e a poeira gruda nos olhos
talvez eu já esteja vendo menos
poeira, poeira, poeira
a cabeça é só fragmentos
talvez eu tenha me acostumado com a vista turva
turva
turva
e se eu ficar cega?
"Era talvez ser distraída o que ela mais queria ser"
Friday, July 17, 2009
Thursday, July 02, 2009
mudar-se
medo, angústia e descobertas
sobram hormônios e faltam palavras
"Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste se sabia que eu era fraco, se sabia que eu não era Deus"
sobram hormônios e faltam palavras
"Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste se sabia que eu era fraco, se sabia que eu não era Deus"
Sunday, June 21, 2009
Rosa
Lembro-me que falavam muito dela perto do mar
"Não era velha, nem moça. Só meio doidinha"
"Ela chegava na praia e reclamava. O que foi, muié. Nada, nada, um pouco de areia nos olhos". "No lugar do coração, parecia que nadava um peixe vermelho"
"Encostara tanto nos óleos do navio que o coração dela escorregava na mão da gente"
"Só comia com manteiga"
"Pra não engordar, Delfina"
"Passava muita água de cheiro, mas no fundo, era um cheiro de enseada!"
"Aí eu peguei na mão dela, as linhas, juro, pareciam aquelas linhas fundas de concha. Contei isso a ela. Ela riu. Falou que ia ficar com a mão bem fechada pra cair uma pérola"
"A gente sentava aqui e tomava um refri, cedinho da noite"
"Ela pediu que segurasse a rosa azul que botava no cabelo"
"Eram duas da madrugada e ela foi pular onda"
"O enfeite de cabelo ficou pesando azul na minha mão, parecia o mar"
"Não era velha, nem moça. Só meio doidinha"
"Ela chegava na praia e reclamava. O que foi, muié. Nada, nada, um pouco de areia nos olhos". "No lugar do coração, parecia que nadava um peixe vermelho"
"Encostara tanto nos óleos do navio que o coração dela escorregava na mão da gente"
"Só comia com manteiga"
"Pra não engordar, Delfina"
"Passava muita água de cheiro, mas no fundo, era um cheiro de enseada!"
"Aí eu peguei na mão dela, as linhas, juro, pareciam aquelas linhas fundas de concha. Contei isso a ela. Ela riu. Falou que ia ficar com a mão bem fechada pra cair uma pérola"
"A gente sentava aqui e tomava um refri, cedinho da noite"
"Ela pediu que segurasse a rosa azul que botava no cabelo"
"Eram duas da madrugada e ela foi pular onda"
"O enfeite de cabelo ficou pesando azul na minha mão, parecia o mar"
O buraco do espelho está fechado
estou me reduzindo a metade de mim
meios livros, meios filmes, meias músicas
nada vai até o fim
inacabável...
eu no espelho um olho menor que o outro, caído para um canto
a boca, também torta para um canto.
talvez o nariz logo esteja assim
depois as bochechas, o cérebro devagarinho...
tudo entortando, caindo, pingando, minguando.
meu corpo está saindo de mim pela tangente!
as mãos não aguentariam segurar a mim mesma em gotas,
meus dedos não me apreendem.
escapável.
alguém aí dentro sabe para onde estou indo?
meios livros, meios filmes, meias músicas
nada vai até o fim
inacabável...
eu no espelho um olho menor que o outro, caído para um canto
a boca, também torta para um canto.
talvez o nariz logo esteja assim
depois as bochechas, o cérebro devagarinho...
tudo entortando, caindo, pingando, minguando.
meu corpo está saindo de mim pela tangente!
as mãos não aguentariam segurar a mim mesma em gotas,
meus dedos não me apreendem.
escapável.
alguém aí dentro sabe para onde estou indo?
Thursday, June 11, 2009
Ode às minhas asas
Aos vinte anos, todos os olhos do mundo estão prevendo meu destino.
De repente, estou passando base no meu rosto pela manhã
Oras, senhores, eu quero é explodir colorida e mudar para uma biblioteca no interior de um canto ensolarado
Almejo a gente desconhecida que conta histórias, costura livro:
Um moço com um violão tocará desajeitado uma cantiga doída e minha lingua vai estalar
Eu dormirei e acordarei comendo livros e mostrando pra quem sentar na calçada que ali vivera um rei de barbas longas, alcançando o riacho
A barba do rei será longa e colorida,longa e mansa
Eu nunca mais terei que ser bonita pra inglês ver
Vão olhar nos meus olhos, não nas sandálias de salto e no rímel
De repente, estou passando base no meu rosto pela manhã
Oras, senhores, eu quero é explodir colorida e mudar para uma biblioteca no interior de um canto ensolarado
Almejo a gente desconhecida que conta histórias, costura livro:
Um moço com um violão tocará desajeitado uma cantiga doída e minha lingua vai estalar
Eu dormirei e acordarei comendo livros e mostrando pra quem sentar na calçada que ali vivera um rei de barbas longas, alcançando o riacho
A barba do rei será longa e colorida,longa e mansa
Eu nunca mais terei que ser bonita pra inglês ver
Vão olhar nos meus olhos, não nas sandálias de salto e no rímel
Sunday, May 24, 2009
Despedaços
São cinco da tarde. Há uma vontade de fumar solta no mundo. Minhas mãos se entretem no controle remoto. Há também um livro de Drummond sobre a mesa. É impossível não se sentir bela lendo poesia. As palavras decoram minha imagem de mim mesma.
Eu sorrio.
Não chega a fazer frio, mas sinto o vento. As portas estão todas entreabertas e algumas rangem. Não há nada de novo passando por meus olhos.
Nessas horas, todos os moços têm namoradas, todas as novas regras gramaticais são herméticas e é impossível escrever em francês. Pedir eu sempre peço, mas não devia. Mais fácil mudar o ter remorso que a apatia.
Diz aí, meu deus, quantos erres cabem na minha boca? Quanto tudo cabe em mim?
As minhas mãos, às vezes ficam num atado só. Meu pescoço dói pedacinho por pedacinho.
A salvação vem a prazo.
Minha alma não vai durar tanto tempo sem um trovão rasgando o céu.
Eu sorrio.
Não chega a fazer frio, mas sinto o vento. As portas estão todas entreabertas e algumas rangem. Não há nada de novo passando por meus olhos.
Nessas horas, todos os moços têm namoradas, todas as novas regras gramaticais são herméticas e é impossível escrever em francês. Pedir eu sempre peço, mas não devia. Mais fácil mudar o ter remorso que a apatia.
Diz aí, meu deus, quantos erres cabem na minha boca? Quanto tudo cabe em mim?
As minhas mãos, às vezes ficam num atado só. Meu pescoço dói pedacinho por pedacinho.
A salvação vem a prazo.
Minha alma não vai durar tanto tempo sem um trovão rasgando o céu.
Das minhas delicadezas entendo eu
escuta,
eu podia criar vergonha na cara e me encaixar naquela brecha do mundo para ficar só observando e sendo pra dentro.
eu podia criar vergonha na cara e me encaixar naquela brecha do mundo para ficar só observando e sendo pra dentro.
Sem título
falta tanto para chegar na luz sangrante das frestas das portas
falta tanto e mais um pouco
e quando não falta fica o vazio do cheio
porque é díficil ser
ser assim por completo cansa
e eu canso e caço rede
canso e caço rede
não,
não sou para ser entendida.
falta tanto e mais um pouco
e quando não falta fica o vazio do cheio
porque é díficil ser
ser assim por completo cansa
e eu canso e caço rede
canso e caço rede
não,
não sou para ser entendida.
Sunday, May 17, 2009
Inconfidência 2
todas as minhas unhas tinham pedido para ele :
ele fez cara de pena.
pena?
as unhas murcharam, murcharam...
ele balançou o queixo com a mesma expressão de outros tantos.
o que é engraçado é isso: a mesma de outros tantos.
não é questão de culpar-me,
falta-me senso mesmo.
bem sabem disso os postes.
e parece que em um gole toda minha sensatez se derrama,
e eu volto a esquizofrênia de inventar uma nova cara,
uma nova, nova, mais lúcida, mais branda.
talvez tivesse faltado mesmo o impacto físico
porque o psicológico já é plástico.
a capa que me cobre é carne,
carne dói, dói e se rasga.
rasguei-me sozinha,
digamos que o mundo já estava de sobreaviso.
e agora, são tantos fragmentos, cadê a cara lúcida?
cadê minhas mãos lúcidas?
meus pulmões estão doendo.
não posso respirar fundo.
vou pagar minhas contas com o mundo depois me acerto comigo mesma,
prometo, juro que prometo.
a carapuça serviu direitinho, sádico acaso que vos chamo destino!
pois saiba que agora, agora vai.
porque rachar já rachou,
não preciso mais de tempo.
preciso de espaço.
e eu me bastarei,
verás.
me bastarei.
agora sem menos nem mais.
ele fez cara de pena.
pena?
as unhas murcharam, murcharam...
ele balançou o queixo com a mesma expressão de outros tantos.
o que é engraçado é isso: a mesma de outros tantos.
não é questão de culpar-me,
falta-me senso mesmo.
bem sabem disso os postes.
e parece que em um gole toda minha sensatez se derrama,
e eu volto a esquizofrênia de inventar uma nova cara,
uma nova, nova, mais lúcida, mais branda.
talvez tivesse faltado mesmo o impacto físico
porque o psicológico já é plástico.
a capa que me cobre é carne,
carne dói, dói e se rasga.
rasguei-me sozinha,
digamos que o mundo já estava de sobreaviso.
e agora, são tantos fragmentos, cadê a cara lúcida?
cadê minhas mãos lúcidas?
meus pulmões estão doendo.
não posso respirar fundo.
vou pagar minhas contas com o mundo depois me acerto comigo mesma,
prometo, juro que prometo.
a carapuça serviu direitinho, sádico acaso que vos chamo destino!
pois saiba que agora, agora vai.
porque rachar já rachou,
não preciso mais de tempo.
preciso de espaço.
e eu me bastarei,
verás.
me bastarei.
agora sem menos nem mais.
Tuesday, May 12, 2009
Vi a vida e me espantei
a traquéia...
meus dedos percorrendo a traquéia ensanguentada.
ainda estava morna
sabe o que significava tocar naquelas ondulações?
eu esticava o pescoço para trás e tocava na minha traquéia
aquele boi morto de bucho aberto ao sol
e parecia que apenas um tecido
separava a minha garganta viva
da garganta exposta
penso que quando eu morrer quero que me estralhacem assim
não, não quero apodrecer antes que eu veja o mundo de dentro de mim
deixe que meus órgãos toquem todas poeiras, toxinas, idéias, salivas!
talvez alguma célula ainda viva suspire,
talvez meu pâncreas roube um poema do ar
e enterre nos vasos.
me estralhacem!
não me deixem morrer inteira.
depois, joguem-me aos vermes sem caixão
quero sentir toda a terra me cobrindo
porque se houver mesmo isso de alma
quero que ela sinta tudo que meu corpo vivo não permite.
meus dedos percorrendo a traquéia ensanguentada.
ainda estava morna
sabe o que significava tocar naquelas ondulações?
eu esticava o pescoço para trás e tocava na minha traquéia
aquele boi morto de bucho aberto ao sol
e parecia que apenas um tecido
separava a minha garganta viva
da garganta exposta
penso que quando eu morrer quero que me estralhacem assim
não, não quero apodrecer antes que eu veja o mundo de dentro de mim
deixe que meus órgãos toquem todas poeiras, toxinas, idéias, salivas!
talvez alguma célula ainda viva suspire,
talvez meu pâncreas roube um poema do ar
e enterre nos vasos.
me estralhacem!
não me deixem morrer inteira.
depois, joguem-me aos vermes sem caixão
quero sentir toda a terra me cobrindo
porque se houver mesmo isso de alma
quero que ela sinta tudo que meu corpo vivo não permite.
Sunday, May 10, 2009
Saturday, April 18, 2009
Inconfidência
Gosto de sentir dentes arrancando meu asfalto,
uma boca sangrando
e a minha essência revolvida.
Não, não ligue para os meninos que passam e riem da sua pose:
você prostado em cima de mim, tirando britas do meu seio.
Ah, como meu corpo sublima quando me entende rua!
Parece vapor clandestino de chuva no chão quente
uma boca sangrando
e a minha essência revolvida.
Não, não ligue para os meninos que passam e riem da sua pose:
você prostado em cima de mim, tirando britas do meu seio.
Ah, como meu corpo sublima quando me entende rua!
Parece vapor clandestino de chuva no chão quente
Sunday, April 05, 2009
Ponto sem nó
Eu não penso, só finjo que penso e todo mundo acredita
Eu não consigo pensar, eu não sei pensar
Eu já cansei de fingir
Eu só sei imaginar e imaginar é um fingir pra dentro
Eu não consigo pensar, eu não sei pensar
Eu já cansei de fingir
Eu só sei imaginar e imaginar é um fingir pra dentro
Notas de alfaiate
mais um remendo:
o homem que não me olha tem os olhos turvos.
o sorriso parece emendar com o bigode.
uma sobriedade lúdica,
uma coisa que parece mais minha que real.
o homem que não me olha não me olha,
mas minhas pupilas já o engoliram.
assim, querendo não querer,
já tenho as unhas dele na minha carne
o homem que não me olha tem os olhos turvos.
o sorriso parece emendar com o bigode.
uma sobriedade lúdica,
uma coisa que parece mais minha que real.
o homem que não me olha não me olha,
mas minhas pupilas já o engoliram.
assim, querendo não querer,
já tenho as unhas dele na minha carne
Thursday, March 12, 2009
cansei de doer
ando com menos garras que dedos
menos dedos que alma
menos alma que abismo
limito-me a odiar minha melancolia:
ô choro besta, meu deus.
menos dedos que alma
menos alma que abismo
limito-me a odiar minha melancolia:
ô choro besta, meu deus.
Wednesday, February 18, 2009
Constatação
Eu seleciono delicadeza por delicadeza para soletrar para ele. E adianta de que?
Ele vai, fala palavras com aperto de mão
e eu querendo as mãos dele roçando minha nuca.
roçando, terra, mas não terra pedregosa, mas com pedrinhas bem míudas
Colecionar suspiros é uma dessas bobagens que enche minha alma
e qual é mesmo o coeficiente de dilatação da alma?
.
.
.
vai andorinha e voa solta que bom mesmo é não bastar de vento nas asas
Ele vai, fala palavras com aperto de mão
e eu querendo as mãos dele roçando minha nuca.
roçando, terra, mas não terra pedregosa, mas com pedrinhas bem míudas
Colecionar suspiros é uma dessas bobagens que enche minha alma
e qual é mesmo o coeficiente de dilatação da alma?
.
.
.
vai andorinha e voa solta que bom mesmo é não bastar de vento nas asas
Wednesday, February 11, 2009
Monday, February 09, 2009
Saturday, January 31, 2009
mas é mesmo um besta
o suco de uva derramado no azulejo. dá uma vontade imensa de ter uma máquina do tempo. ele era tão inofencivo no copo de vidro e agora ameaça juntar um monte de formigas.
não sei bem se existe morte feliz, mas acho que existem mortes bem ruins. mortes cheias de gangrena, vermes e pus são terríveis. por mais triste que seja um câncer, é asséptico. já imaginou um protagonista de novela morrendo de teníase ou cancro mole (ô nomezinho infeliz)?
aí você olha para perna e enxerga um linha vermelha que não some. Bicho geográfico ou estria. O que lhe assusta mais a estética corrompida ou um bicho lhe corrompendo?
vem de novo a sensação de voltar no tempo. arrependimento, como chamam minha imaginação ficção científica. como me é caro imaginar continuações a cada pequena glória do meu dia. só que o mundo não se importa.
no fim, rememoro a cena da bela moça raptada por bruxas, ainda quando bebê. as feiticeiras lhe ensinam que feio é bonito e, bonito, feio. aí ela beija um bode que vira um belo príncipe. aí ela o rejeita porque ele era monstruoso demais.
não sei bem se existe morte feliz, mas acho que existem mortes bem ruins. mortes cheias de gangrena, vermes e pus são terríveis. por mais triste que seja um câncer, é asséptico. já imaginou um protagonista de novela morrendo de teníase ou cancro mole (ô nomezinho infeliz)?
aí você olha para perna e enxerga um linha vermelha que não some. Bicho geográfico ou estria. O que lhe assusta mais a estética corrompida ou um bicho lhe corrompendo?
vem de novo a sensação de voltar no tempo. arrependimento, como chamam minha imaginação ficção científica. como me é caro imaginar continuações a cada pequena glória do meu dia. só que o mundo não se importa.
no fim, rememoro a cena da bela moça raptada por bruxas, ainda quando bebê. as feiticeiras lhe ensinam que feio é bonito e, bonito, feio. aí ela beija um bode que vira um belo príncipe. aí ela o rejeita porque ele era monstruoso demais.
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