Wednesday, May 26, 2010

Histoire d'A

Aquela agonia das coisas no finzinho, da vida no finzinho.
Eu não aprendi lição nenhuma sobre amor
Pura ficção e um desejo enorme dele.
O mesmo ele doce, de palavras bonitas e barba mal-feita
O único de botar lágrimas nos meu olhos porque sempre é outra a dele
Dos outros vexames, je m'enfou.
Ele, eu amo num cantinho escondido
Desde tempos da história da pedra e da Adélia, eu o amava.
Só que não para mudar a Maria que sorri na fotografia.

Saturday, March 13, 2010

To see if I still feel



Diário bobo

A lista está funcionando no esquema AA, um dia de cada vez. Funcionando, mas eu tô presente e não futuro.

Daqui a uns 20 de dias e pouquinho arrumo as malas para Paris. Aí eu fico tentando não viver em contagem regressiva.

Hoje funcionou, foi meu dia de apreciação estética. A rotina tinha me engolido e eu decidi cortar a barriga do lobo.

Acordei às 10, curte vários cinco minutos de preguiça. Fiz-me bonita com echarpe e tudo. Fui pro centro. Encurtei caminho pegando carona com um estranho e tomando golinhos de silêncio. Correio, banco, biblioteca. Peguei Truffaut e um livro de fotos.

Comi numa casa de chá adorável, lendo sobre como fazer bolos surpreendentes.

Voltei para casa por um caminho desconhecido, passei pelo cemitério, admirei os azulejos com número das casas, caminhei até me perder.

Estudei e no fim do dia fui fazer compras. Na volta, sentei na calçada vendo o por-do-sol. Observei o rumo dos pássaros se confundirem com o dos aviões. O reflexo das janelas.

Eu acabei de comer o chocolate que comprei e estou escutando Adriana Calcanhoto para sorrir frouxo. Depois banho e filminho.

E que nenhum caçador venha reivindicar meu feito.

Tuesday, March 09, 2010

Um dó, lá, si...já!

Sabe o que eu queria? Eu queria fazer uma lista com tudo que eu tenho de fazer e chegar a cumpri-la.

Vamos tentar uma hoje.

Prego o botão do vestido, promessa da semana passada e me veremos.
Senhor ouvinte, se concentrem que é capaz que eu consiga.

Saturday, February 27, 2010

Descanso da lucidez

Esses tempos estava estudando teorias de comunicação. Relendo meus textos sobre a escola de Palo Alto, penso que tenho todos os tipos de esquizofrênia:

Paranóia- é uma psicose que se caracteriza pelo desenvolvimento de um delírio crônico, lúcido e sistemático, dotado de uma lógica interna própria, não estando associado a alucinações.

Hebefrênia- alterações nos âmbitos das relações sociais e da personalidade, através de flutuações abruptas do humor e do comportamento.O paciente pensa e raciocina corretamente, mas tem uma certa dificuldade em apreender de forma precisa a realidade.

Catatonia: dois dos principais sintomas da catatonia são a sugestibilidade e o negativismo do indivíduo. No primeiro caso, há exagerada tendência de submeter-se às sugestões externas, especialmente as fúteis e sem conseqüências benéficas. No segundo caso, verifica-se uma teimosa oposição à execução do que se pede, chegando ao ponto de realizar exatamente o inverso daquilo que lhe é indicado.

Segundo os teóricos da escola de Palo Alto, a esquizôfrenia é resultado de um paradoxo comunicacional que caminha para a incapacidade de decodificação da mensagem, a diluição do indíviduo enquanto instância de recepção e construção de sentido no irracional.

É como diz o ditado, de médico e louco...

Friday, February 19, 2010

É preciso dar a volta toda

aujourd'hui je me suis rendu compte que la bonne heure habite chez moi.
mon âme est prêt pour se jeter un autre fois.
oui, maintenant, les mots sont devenus mes amis. je laisse quelque lettres dedans ma bouge. à quelque moment je mangerai(vomirai) un poème.


ps: je veux jamais regretter d'être libre.

Thursday, February 11, 2010

Torto feito faca

véspera de carnaval, -2°C
tudo foi ficando branco,
os passarinhos viravam flocos de neve
e os sémaforos balançavam com o vento.

o telefonema disse não
e o mundo não mudou como ela esperava

ela era besta e botou belchior para cantar
aquela semana ela queria ser o mar, o infinito dela mesma
ela queria arrancar o coração e deixar ele respirar sozinho.
Vai, pequeno, deixa sua dona viver sem o peso inútil da alma.


"sei que assim falando pensas que esse desespero é moda..."

Friday, January 29, 2010

de ser doce para ser belo
da minha delicadez para a delícia bruta
me sinto esculpindo os mesmo leões de todas as escadarias


"aí a notícia carece de exatidão... Joana é mais uma mulata triste que errou."
"olha a veia que salta, olha a gota que falta pro desfecho da festa."

Reforma é melhor que revolução?

a atual dúvida existencial que me corrói, porque às vezes a gente se perde no pedacinho por pedacinho e às vezes o mundo não cabe nos braços.

Monday, January 18, 2010

Pontuações

A figura intermitente do moço de listras me aporta sentimentos doces e languidos como Olympe à Flora Tristan.

Só que eu sei se é a distancia que desenha neles essas linhas bonitas...

Dessa vez não faz mal, eu estou a ilusionar devagarinho, mexendo a colher no tacho para não talhar a mistura. Eu perdi o medo de jogar o leite fora, meu bem.

Thursday, January 14, 2010

A exclamação

Isso não é um daqueles discursos saudosistas. A questão é que eu não consigo banalizar a exclamação.

Daí se a gente sente uma palpitação, uma surpresa, uma apreensão, uma alegria pequena não é culpa minha, é a definição do tal sinal:
Usa-se o ponto de exclamação em vez do ponto simples quando se deseja indicar que a entonação do período é enfática, emocionada, intensa. Trata-se de um artifício retórico para induzir a leitura do período de forma diferenciada, supondo um estado emocional compatível com o sentido portado.
Só que meio mundo sai usando exclamação e eu nem sei.
Já havia postulado, várias: efeito cênico, uma: emoção despida de hipocrisia, certo? Não sei mais. Tenho lá minhas dúvidas, afinal não se pula de um mesmo abismo duas vezes.



Friday, January 08, 2010

Bronquios abertos

Meio peito atravessado pelas minhas setas
Hoje, eu arrumei o armário
Hoje, eu terminei minhas cartas
Hoje, eu mandei o email para o moço de listras
Hoje, eu decidi que pecado não existe, que Deus não existe
Hoje, eu abri meus braços
Hoje, eu vou tira minhas sandálias
Escutem o vento, barulho dos meus braços
Hoje, eu não sou triste
eu sinto saudade,
mas eu não desisto
Hoje, eu não sou romântica, nem poeta
Hoje, eu mastiguei meu nome, minha ordem
Hoje, eu respiro

Tuesday, January 05, 2010

Eu caí em todas as tentações, mas pior que pecado foi o desespero.
agora vou buscar a roupa limpa.
vou botar a casa em ordem
vou fazer minhas promessas
porque não adianta não ter um deus e manter os rituais
eu tenho de desatar-me
abre o seus braços e canta a última esperança!

ninguém será como eu.

Monday, January 04, 2010

Hoje, eu entendi todas as tristezas do mundo