Thursday, December 10, 2009

Verónique

Eu tenho um professor de sapatos verdes
Eu tenho um professor com um segredo em russo tatuado no braço esquerdo
Eu tenho uma prova amanhã sobre todas as divisões territoriais francesas
O moço me lembra o Jim Carrey, mas tem um jeito de dizer que não vai deixar nenhum doce para mim que me encanta. Ele deve nem lembrar mais da minha cara, mas eu encho a cabeça dele com minhas palavras. Ele não as deixa entrar, bem sei. Tempos atrás eu sonhava com ele, mas agora eu só o tenho como inspirador de suspiros quando a respiração falha. Eu o verei em algum tempo, talvez nem veja. Tenho pena dos homens por quem me encanto. Sei que eles sofrem com minhas tonterías, mas não vou me desculpar, não hoje, não agora. Mesmo que eu esteja comendo um doce a cada segundo, mesmo que eu queira mandar uma mensagem boba para ele. Eu sei que o impulso todo está neste exato momento. Que a agonia se encerra neste instante, mas os meus espasmos sempre são longos. Me perco em todas essas minhas ilhas. Revisito-as, conheço de có os caminhos, porém me perco. Daí que o texto não vai acabar reticente, vai acabar acabando, escutando Jimmy Smith. Eu não vou tentar beijá-lo, nem inventar minhas histórias sem pé nem cabeça. Fracasso reconhecido. Não estou com paciência para me fazer bonita para ninguém por esses tempos. Não estou com paciência para suportar minhas decepções. Hoje, eu vou parar de olhar-me no espelho vendo os olhos dos outros. Hoje, permito-me ficar inventando histórias para mim, não para ele, não para a lata vazia de doces. E tenho dito.

I told you, I was trouble

Promessa de ano novo:

parar de desculpar-me

se eu filoso é porque deu na teia, se você não me compreende a porta nunca esteve trancada. eu enconstei por conta do barulho.


PS: é como diz o gato da Alice, "vous avez remarquez que je n'est pas toute ma peau?"