Lembro-me que falavam muito dela perto do mar
"Não era velha, nem moça. Só meio doidinha"
"Ela chegava na praia e reclamava. O que foi, muié. Nada, nada, um pouco de areia nos olhos". "No lugar do coração, parecia que nadava um peixe vermelho"
"Encostara tanto nos óleos do navio que o coração dela escorregava na mão da gente"
"Só comia com manteiga"
"Pra não engordar, Delfina"
"Passava muita água de cheiro, mas no fundo, era um cheiro de enseada!"
"Aí eu peguei na mão dela, as linhas, juro, pareciam aquelas linhas fundas de concha. Contei isso a ela. Ela riu. Falou que ia ficar com a mão bem fechada pra cair uma pérola"
"A gente sentava aqui e tomava um refri, cedinho da noite"
"Ela pediu que segurasse a rosa azul que botava no cabelo"
"Eram duas da madrugada e ela foi pular onda"
"O enfeite de cabelo ficou pesando azul na minha mão, parecia o mar"
Sunday, June 21, 2009
O buraco do espelho está fechado
estou me reduzindo a metade de mim
meios livros, meios filmes, meias músicas
nada vai até o fim
inacabável...
eu no espelho um olho menor que o outro, caído para um canto
a boca, também torta para um canto.
talvez o nariz logo esteja assim
depois as bochechas, o cérebro devagarinho...
tudo entortando, caindo, pingando, minguando.
meu corpo está saindo de mim pela tangente!
as mãos não aguentariam segurar a mim mesma em gotas,
meus dedos não me apreendem.
escapável.
alguém aí dentro sabe para onde estou indo?
meios livros, meios filmes, meias músicas
nada vai até o fim
inacabável...
eu no espelho um olho menor que o outro, caído para um canto
a boca, também torta para um canto.
talvez o nariz logo esteja assim
depois as bochechas, o cérebro devagarinho...
tudo entortando, caindo, pingando, minguando.
meu corpo está saindo de mim pela tangente!
as mãos não aguentariam segurar a mim mesma em gotas,
meus dedos não me apreendem.
escapável.
alguém aí dentro sabe para onde estou indo?
Thursday, June 11, 2009
Ode às minhas asas
Aos vinte anos, todos os olhos do mundo estão prevendo meu destino.
De repente, estou passando base no meu rosto pela manhã
Oras, senhores, eu quero é explodir colorida e mudar para uma biblioteca no interior de um canto ensolarado
Almejo a gente desconhecida que conta histórias, costura livro:
Um moço com um violão tocará desajeitado uma cantiga doída e minha lingua vai estalar
Eu dormirei e acordarei comendo livros e mostrando pra quem sentar na calçada que ali vivera um rei de barbas longas, alcançando o riacho
A barba do rei será longa e colorida,longa e mansa
Eu nunca mais terei que ser bonita pra inglês ver
Vão olhar nos meus olhos, não nas sandálias de salto e no rímel
De repente, estou passando base no meu rosto pela manhã
Oras, senhores, eu quero é explodir colorida e mudar para uma biblioteca no interior de um canto ensolarado
Almejo a gente desconhecida que conta histórias, costura livro:
Um moço com um violão tocará desajeitado uma cantiga doída e minha lingua vai estalar
Eu dormirei e acordarei comendo livros e mostrando pra quem sentar na calçada que ali vivera um rei de barbas longas, alcançando o riacho
A barba do rei será longa e colorida,longa e mansa
Eu nunca mais terei que ser bonita pra inglês ver
Vão olhar nos meus olhos, não nas sandálias de salto e no rímel
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