todas as minhas unhas tinham pedido para ele :
ele fez cara de pena.
pena?
as unhas murcharam, murcharam...
ele balançou o queixo com a mesma expressão de outros tantos.
o que é engraçado é isso: a mesma de outros tantos.
não é questão de culpar-me,
falta-me senso mesmo.
bem sabem disso os postes.
e parece que em um gole toda minha sensatez se derrama,
e eu volto a esquizofrênia de inventar uma nova cara,
uma nova, nova, mais lúcida, mais branda.
talvez tivesse faltado mesmo o impacto físico
porque o psicológico já é plástico.
a capa que me cobre é carne,
carne dói, dói e se rasga.
rasguei-me sozinha,
digamos que o mundo já estava de sobreaviso.
e agora, são tantos fragmentos, cadê a cara lúcida?
cadê minhas mãos lúcidas?
meus pulmões estão doendo.
não posso respirar fundo.
vou pagar minhas contas com o mundo depois me acerto comigo mesma,
prometo, juro que prometo.
a carapuça serviu direitinho, sádico acaso que vos chamo destino!
pois saiba que agora, agora vai.
porque rachar já rachou,
não preciso mais de tempo.
preciso de espaço.
e eu me bastarei,
verás.
me bastarei.
agora sem menos nem mais.
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