Sunday, May 24, 2009

Despedaços

São cinco da tarde. Há uma vontade de fumar solta no mundo. Minhas mãos se entretem no controle remoto. Há também um livro de Drummond sobre a mesa. É impossível não se sentir bela lendo poesia. As palavras decoram minha imagem de mim mesma.

Eu sorrio.

Não chega a fazer frio, mas sinto o vento. As portas estão todas entreabertas e algumas rangem. Não há nada de novo passando por meus olhos.

Nessas horas, todos os moços têm namoradas, todas as novas regras gramaticais são herméticas e é impossível escrever em francês. Pedir eu sempre peço, mas não devia. Mais fácil mudar o ter remorso que a apatia.

Diz aí, meu deus, quantos erres cabem na minha boca? Quanto tudo cabe em mim?

As minhas mãos, às vezes ficam num atado só. Meu pescoço dói pedacinho por pedacinho.

A salvação vem a prazo.

Minha alma não vai durar tanto tempo sem um trovão rasgando o céu.

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