o suco de uva derramado no azulejo. dá uma vontade imensa de ter uma máquina do tempo. ele era tão inofencivo no copo de vidro e agora ameaça juntar um monte de formigas.
não sei bem se existe morte feliz, mas acho que existem mortes bem ruins. mortes cheias de gangrena, vermes e pus são terríveis. por mais triste que seja um câncer, é asséptico. já imaginou um protagonista de novela morrendo de teníase ou cancro mole (ô nomezinho infeliz)?
aí você olha para perna e enxerga um linha vermelha que não some. Bicho geográfico ou estria. O que lhe assusta mais a estética corrompida ou um bicho lhe corrompendo?
vem de novo a sensação de voltar no tempo. arrependimento, como chamam minha imaginação ficção científica. como me é caro imaginar continuações a cada pequena glória do meu dia. só que o mundo não se importa.
no fim, rememoro a cena da bela moça raptada por bruxas, ainda quando bebê. as feiticeiras lhe ensinam que feio é bonito e, bonito, feio. aí ela beija um bode que vira um belo príncipe. aí ela o rejeita porque ele era monstruoso demais.
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