Morreu gorda, psicologicamente gorda. Não criou gatos, ninguém lambeu suas faces antes da putefração. Só uma trilha de formigas percorria o corpo. Depois de uma semana o cheiro incomodou os vizinhos. Recolheram tudo, mas a cena deprimente ficou intocada no apartamento.
Morreu gorda, psicologicamente gorda. Inventou muito doce na vida, viu um bocado de ternuras melequentas onde não havia, passou os dias recortando pessoas de revistas e de relances cotidianos. Só restou da sua vivência besta a marca de suor no sofá, após o cadáver ter despencado no chão.
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